quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Inflação


Inflação permanece nos 2,1% em Setembro

A taxa de inflação em Portugal ficou inalterada nos 2,1% em Setembro, de acordo com os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A Saúde, a Habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis e os Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas foram as que apresentaram as contribuições positivas mais significativas para a formação da taxa de variação homóloga, justificando cerca de 52,4% da variação registada pelo IPC."A única contribuição negativa verificou-se ao nível das Comunicações. As restantes classes contribuíram com sinal positivo para a formação da taxa de variação homóloga"; refere o INE.



Jornal de Negócios, 15 de Outubro de 2007






Qual a importância para o país do controlo da taxa de inflação?


A inflação trata-se de um termo utilizado pelos economistas para designar um processo persistente e relativamente generalizado de aumento dos preços em vigor numa dada economia, observado ao longo de um dado período de tempo.

A expressão aumento generalizado significa que a inflação não incide apenas sobre os preços de alguns bens e serviços, mas sim sobre os preços da grande maioria dos bens e serviços. Não incide apenas sobre os preços pagos pelos consumidores, mas também sobre os preços pagos aos produtores daqueles bens e serviços.

A inflação não incide apenas sobre os preços de bens e de serviços, mas também sobre outros preços, como por exemplo os salários (preço da mão-de-obra).

A inflação ocorre quando o nível geral de preços aumenta.
O cálculo da inflação é efectuado com base em índices de preços dos quais o Índice de Preços no Consumidor (IPC) é o mais importante. O IPC quantifica o preço médio de um conjunto de bens e serviços (designado por cabaz) comprados pelos consumidores.
A taxa de inflação é a variação percentual do IPC de um ano para o outro.

3 Graus de inflação:

Inflação moderada: É caracterizada pelo aumento lento e previsível dos preços. Pode definir-se como uma inflação anual de um só dígito. A maior parte dos países industriais passou por inflação moderada na última década.

Inflação galopante: É uma inflação de dois, três dígitos, de 20, 100 ou 200%. Muitos países latino-americanos como a Argentina, o Chile e o Brasil, tiveram taxa de inflação de 50 ate 700% ao ano nas décadas de 1970/80.

Hiperinflação: Ainda que as economias pareçam sobreviver com uma inflação galopante, nada de bom se pode dizer de uma economia em hiperinflação, onde os preços aumentam um milhão por cento ao ano.




Entre Janeiro de 1922 e Novembro de 1923, o índice de preços da República Alemã de Weimar aumentou de 1 para 10 000 000 000.Com obrigações alemãs no valor de 300 milhões de marcos em 1922 não se conseguiria comprar um bombom dois anos mais tarde.


Como podemos facilmente deduzir, a inflação é um processo que prejudica fortemente a economia de um país. O seu controlo é importante para um menor efeito desta na eficiência económica ou sobre a distribuição do rendimento.
Numa economia com uma maior inflação, torna-se mais complicado fazer a distinção entre as variações dos preços relativos e as variações ao nível geral dos preços. Outro dos motivos pelos quais é importante o controlo da inflação é o facto desta provoca uma diminuição do poder de compra e dos salários. Ou, até, para que se possa controlar a desvalorização ou depreciação da moeda.

A inflação prejudica a eficácia económica, dado que distorce os preços relativos.



Qual a evolução dessa taxa no século XXI?






Em pleno século XXI a taxa de inflação tem vindo a sofrer uma descida acentuada.
No ano de 2001, a taxa de inflação rondava os 4,4% e a partir dessa data, os valores têm vindo a diminuir consideravelmente.
Em 2002 a taxa já era de 3,6%, e em 2006 a taxa de inflação era já, de apenas 2,2%.

Quais os sectores da economia que foram os responsáveis por essa evolução e quais os que contrariaram essa tendência?




Como podemos constatar na tabela, temos como influência positiva na taxa de variação homóloga, factores ligados à saúde, à habitação, à alimentação e a sectores como os da água, da electricidade, do gás e outros combustíveis, que podemos considerar que forneceram, de modo evidente, um contributo positivo para a formação dessa mesma taxa. Por outro lado, são apresentados factores que contribuíram para a retracção da taxa de variação homóloga, como, por exemplo e principalmente a área das comunicações.

Como será possível controlar a inflação?

Poderemos controlar a inflação através do controlo do Índice de Preços do Consumidor, optar por uma política monetária rigorosa que assegure a estabilidade dos preços.Terá de ser feito um controlo dos agentes económicos, de modo a que estes não prejudiquem a economia do país em detrimento dos seus próprios interesses.Controlo da produtividade e dos salários – a disparidade entre os dois não deve provocar um aumento do preço da produção, que acaba por se espalhar a elementos do consumo do indivíduo.
Para controlar a inflação é necessário restringir os gastos públicos e aumentar as taxas de juro. O Banco Central Europeu (BCE) é o principal controlador da inflação.

Desemprego

Desemprego cresce com mais gente disponível para trabalhar

A economia portuguesa continua a mostrar-se incapaz de dar resposta ao aumento da população activa, ou seja, o universo de pessoas que estão disponíveis para trabalhar.
No terceiro trimestre deste ano, o número de empregados cresceu 0,3% em termos homólogos, menos do que a população activa, que aumentou 0,7%. Resultado: o número de desempregados subiu 6,5% para 444,4 mil, próximo do máximo histórico de 460 mil, atingido no 1º trimestre deste ano. No total, são mais 27 mil desempregados do que em igual período do ano passado.

Mas quem são estes novos desempregados? Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), são mais mulheres do que homens e a maioria tem mais de 45 anos. Embora o número de licenciados não seja negligenciável, são sobretudo pessoas com um baixo nível de qualificação que perderam o emprego no último ano. E quase todos trabalham no sector dos serviços.



DN, 17 de Novembro de 2007



Qual a diferença entre activos/inactivos, empregados/desempregados?

População inactiva: conjunto de indivíduos que, no período de referência, não podem ser considerados economicamente activos, ou seja, não estão empregados nem desempregados.

População activa (Ns): conjunto de indivíduos que, num período de referência, constituem a mão-de-obra disponível para a produção de bens e serviços que entram no circuito económico, inclui aqueles indivíduos que se encontram a trabalhar (E) ou desempregados (U):
Fórmula: Ns = E+U

Empregado: indivíduo que possui contrato de emprego remunerado e que desconta para os impostos.

Desempregados: é um indivíduo que, ao longo de um período de referência, se encontra simultaneamente nas situações seguintes:

1 Não possui emprego;
2 Procura activamente emprego;
3 Está imediatamente apto/disponível a trabalhar


Tipos de Desemprego:

Desemprego natural:
nível de desemprego associado ao produto natural
• é o nível de desemprego de equilíbrio, quando há estabilidade da taxa de desemprego
• Desemprego natural = desemprego estrutural + desemprego friccional

Desemprego estrutural: desemprego involuntário que resulta da incapacidade do salário real se ajustar ao nível de equilíbrio de mercado
Desemprego friccional: resulta do normal funcionamento e do dinamismo inerente ao mercado de trabalho, ocorrendo porque demora tempo para que haja ajustamento entre um trabalhador que procura um emprego e a existência de um posto de trabalho que necessita ser preenchido

Qual a evolução da taxa de actividade e da taxa de desemprego nos últimos anos, em Portugal?

Evolução da taxa de actividade e da taxa de desemprego nos últimos anos em Portugal:



A Taxa de actividade é a percentagem da população que tem ou procura emprego. Corresponde ao rácio entre a população activa e a população total (Ns/Q).


A taxa de desemprego é a percentagem da população activa, que procura mas não consegue obter emprego. Corresponde ao rácio entre população desempregada e população activa. u=U/Ns


A evolução da taxa de actividade em Portugal tem vindo a aumentar desde 1994.
Entre 1994 e 1996 o seu crescimento foi pouco visível. A partir de 1997 o seu crescimento tem sido significativo, em 1997 rondava os 49,5% e em 2006 o valor era de 52,8%.

A evolução da taxa de desemprego em Portugal tem sofrido alterações ao longo dos anos.
Em 1994 a taxa de desemprego rondava os 6,8%, nos dois anos seguintes os valores sofreram um significativo aumento para 7,3%, mas em 1997 os valores caíram para 6,7% mais baixo do que em 1994, e nos anos seguintes até 2004 os valores não ultrapassaram os 6,5%.
Podemos constatar que no ano de 2000 tivemos o menor número de desemprego de até hoje, a taxa de desemprego não ultrapassou os 3,9%.

A partir do ano de 2003, a evolução da taxa de desemprego têm vindo a aumentar significativamente. Em 2003 a taxa rondava os 6,3%, em 2004 os 6,5%, e em 2005 até 2006 os valores os valores aumentaram muito em relação aos anos anteriores, nestes dois anos os valores da taxa de desemprego eram de 7,6%.





Que factores poderão explicar esse comportamento?

O desemprego é um problema económico porque representa o desperdício de recursos valiosos.
Quando a taxa de desemprego aumenta, a economia está de facto a desperdiçar os bens e os serviços que os desempregados podiam ter produzido.

O desemprego é um problema social importante, causa enorme sofrimento aos desempregados que se debatem com menores rendimentos, O custo económico do desemprego é elevado, mas não há valor monetário que possa traduzir adequadamente o custo humano e psicológico do desemprego involuntário persistente.

As pessoas empregadas também suportam os custos do desemprego, directa e indirectamente. Os sistemas de segurança social transferem recursos para as pessoas desempregadas (subsídio de desemprego). Além disso, uma maior taxa de desemprego implica uma maior taxa de criminalidade, uma maior taxa de subsídio, e um maior nível de tensão social.
A economia Portuguesa, como está patente no texto, continua a mostrar-se incapaz de dar resposta ao aumento da população activa ( número de pessoas que estão disponíveis para trabalhar).


Qual a evolução ocorrida em termos do perfil dos desempregados?

São vários os factores que interferem no Desemprego que se verifica actualmente.
Não faltam pessoas que queiram trabalhar, o que não há e local para trabalhar.
Segundo o INE ( Instituto Nacional de Estatística) os “novos” desempregados são na sua maioria pessoas do sexo feminino do que do sexo masculino e que em grande parte têm mais de 45 anos de idade.

Como podemos constatar no quadro seguinte, são as mulheres com idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos de idade que se destacam no grupo dos desempregados.
Enquanto o sexo masculino nas idades entre os 35 e os 54 anos de idade contam com 76 143 desempregados, o sexo feminino com as mesmas idades (35 a 54) rondam os 106 882 desempregados.

Entre os 25 e os 34 anos de idade, o número de desemprego masculino ronda os 45 098, também neste caso o sexo feminino conta com um maior número de desemprego 69 669.
Apenas no grupo etário de mais de 55 anos de idade, é que as mulheres são em menor número do que os homens.
Nos outros grupos etários as mulheres são em maior número.

O nível de escolaridade também tem um papel decisivo no acto da selecção dos trabalhadores.
Actualmente quem não tiver o 12ºano de escolaridade ou for licenciado em alguma área encontrará diversos entraves na procura de trabalho. Até, para quem é Licenciado, esta procura é muito difícil.

Como podemos ver no quadro seguinte, referente ao ano de 2004, as mulheres foram as que apresentaram um nível de escolaridade mais elevado, cerca de 22 629 completaram o ensino superior mas estão no desemprego. E 11 886 homens, com ensino superior estavam no desemprego.

16 007 mulheres não têm qualquer tipo de escolaridade e estão no desemprego, 9 645 homens estão na mesma situação profissional e escolar.
Ao nível do Ensino Básico 1º, 2º e 3º ciclos, ensino Secundário e pós secundário, existem mais mulheres a possuir este nível de escolaridade do que homens, mas, que no entanto apesar da escolaridade que possuem estão no desemprego.

Em 2004 o desemprego registado por Sexo e por nível de escolaridade em 2004 quanto a homens e mulheres no seu total foi de 457 864 mil pessoas.



Crescimento Económico

Segundo Banco de Portugal, investimento recupera. Exportações já não são motor da retoma económica.


Durou apenas um ano o período em que Portugal cresceu com o principal contributo a vir da procura externa líquida (exportações menos importações), o padrão considerado pelos economistas como o mais saudável para a economia portuguesa.
Ontem, no boletim económico de Outono, o Banco de Portugal manteve a sua estimativa de crescimento do PIB este ano em 1,8 por cento (a mesma que o Governo), mas corrigiu de forma significativa as componentes desse crescimento. Afinal as exportações vão crescer menos que o previsto e, em compensação, o investimento vai crescer mais. O resultado é que, da taxa de variação do PIB de 1,8 por cento, 1,2 pontos são garantidos pela procura interna e 0,6 pontos pela procura externa líquida.
Em 2006, mais de três quartos do crescimento tinham sido responsabilidade da evolução do nosso comércio com o exterior e, para este ano, o Banco de Portugal previa no boletim apresentado no Verão que os contributos da procura interna e externa fossem iguais.



Público. 15.11.2007


Qual a evolução da actividade económica desde o início do século XXI?


A actividade económica mede-se através do PIB (Produto Interno Bruto), que representa a soma, em valores monetários, de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região durante um determinado período (mês, trimestre, ano, etc). O PIB é um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia, com o objectivo de avaliar a actividade económica de uma região.
Na contagem do PIB, considera-se apenas bens e serviços finais, excluindo da conta todos os bens de consumo intermediários, de forma a que se possa evitar o problema da dupla contagem. A dupla contagem ocorre quando os valores gerados na cadeia de produção aparecem contados duas vezes na soma do PIB.




*Valor previsto para o 3.º Trimestre de 2007, segundo o INE (Instituto Nacional de Estatística)



Neste quadro, é apresentada a evolução do PIB de 2000 a 2007. Neste caso, o PIB é calculado a preços constantes, tendo como base o IPC de um determinado ano (2000). É, então, retirado ao PIB o efeito da inflação dos anos seguintes a 2000, obtendo-se o PIB real e não a preços do mercado.
O PIB regista um decréscimo de 2000 até 2003, quando atinge valores negativos (-0,8). Em 2004, verifica-se uma recuperação para 1.5, mas logo volta a descer 1 ponto percentual. De 2005 até 2007, o PIB cresce, embora num ritmo lento.





Qual a evolução, nos últimos anos, do contributo da procura externa e das várias componentes da procura interna para o crescimento?



Evolução da Procura Interna e da Procura Externa em percentagem de 2000 a 2006



Procura Interna= Consumo Privado+Consumo Público+Investimento
Procura Externa= Exportações
Exportações Líquidas= Exportações – Importações
PIB= Despesa Interna = Consumo Privado+ Consumo Público+ Investimento+ Exportações Líquidas



Contributo da PI e da PE para o crescimento do PIB em percentagem





Nos últimos anos, os contributos da procura interna e das exportações líquidas para o PIB variam de ano para ano. Mais de três quartos do crescimento do PIB foram responsabilidade das exportações líquidas, como se verifica no gráfico e na tabela.
O PIB registou decréscimos sucessivos de 2000 até 2003, atingindo -1,2. Em 2004, regista-se finalmente um crescimento do PIB, para 1,3. Este crescimento deve-se essencialmente ao contributo da procura interna (2,2), já que as exportações líquidas revelam resultados negativos (-0,9).


Em 2005, o PIB sofre novo decréscimo (0,3), apesar de não chegar a valores negativos. O abrandamento do crescimento deve-se à redução da procura interna (0,7), mas o facto de não atingir valores negativos justifica-se pelo aumento do contributo das exportações, apesar de se ter mantido em valores negativos (-0,3).

Em 2006, o PIB aumenta 0.9 pontos percentuais.
Em 2007, o contributo da procura interna foi o dobro do das exportações.