Durou apenas um ano o período em que Portugal cresceu com o principal contributo a vir da procura externa líquida (exportações menos importações), o padrão considerado pelos economistas como o mais saudável para a economia portuguesa.
Ontem, no boletim económico de Outono, o Banco de Portugal manteve a sua estimativa de crescimento do PIB este ano em 1,8 por cento (a mesma que o Governo), mas corrigiu de forma significativa as componentes desse crescimento. Afinal as exportações vão crescer menos que o previsto e, em compensação, o investimento vai crescer mais. O resultado é que, da taxa de variação do PIB de 1,8 por cento, 1,2 pontos são garantidos pela procura interna e 0,6 pontos pela procura externa líquida.
Em 2006, mais de três quartos do crescimento tinham sido responsabilidade da evolução do nosso comércio com o exterior e, para este ano, o Banco de Portugal previa no boletim apresentado no Verão que os contributos da procura interna e externa fossem iguais.
A actividade económica mede-se através do PIB (Produto Interno Bruto), que representa a soma, em valores monetários, de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região durante um determinado período (mês, trimestre, ano, etc). O PIB é um dos indicadores mais utilizados na macroeconomia, com o objectivo de avaliar a actividade económica de uma região.
Na contagem do PIB, considera-se apenas bens e serviços finais, excluindo da conta todos os bens de consumo intermediários, de forma a que se possa evitar o problema da dupla contagem. A dupla contagem ocorre quando os valores gerados na cadeia de produção aparecem contados duas vezes na soma do PIB.

*Valor previsto para o 3.º Trimestre de 2007, segundo o INE (Instituto Nacional de Estatística)

Neste quadro, é apresentada a evolução do PIB de 2000 a 2007. Neste caso, o PIB é calculado a preços constantes, tendo como base o IPC de um determinado ano (2000). É, então, retirado ao PIB o efeito da inflação dos anos seguintes a 2000, obtendo-se o PIB real e não a preços do mercado.
O PIB regista um decréscimo de 2000 até 2003, quando atinge valores negativos (-0,8). Em 2004, verifica-se uma recuperação para 1.5, mas logo volta a descer 1 ponto percentual. De 2005 até 2007, o PIB cresce, embora num ritmo lento.
Qual a evolução, nos últimos anos, do contributo da procura externa e das várias componentes da procura interna para o crescimento?
Evolução da Procura Interna e da Procura Externa em percentagem de 2000 a 2006


Procura Interna= Consumo Privado+Consumo Público+Investimento
Procura Externa= Exportações
Exportações Líquidas= Exportações – Importações
PIB= Despesa Interna = Consumo Privado+ Consumo Público+ Investimento+ Exportações Líquidas
Contributo da PI e da PE para o crescimento do PIB em percentagem


Nos últimos anos, os contributos da procura interna e das exportações líquidas para o PIB variam de ano para ano. Mais de três quartos do crescimento do PIB foram responsabilidade das exportações líquidas, como se verifica no gráfico e na tabela.
O PIB registou decréscimos sucessivos de 2000 até 2003, atingindo -1,2. Em 2004, regista-se finalmente um crescimento do PIB, para 1,3. Este crescimento deve-se essencialmente ao contributo da procura interna (2,2), já que as exportações líquidas revelam resultados negativos (-0,9).
Em 2005, o PIB sofre novo decréscimo (0,3), apesar de não chegar a valores negativos. O abrandamento do crescimento deve-se à redução da procura interna (0,7), mas o facto de não atingir valores negativos justifica-se pelo aumento do contributo das exportações, apesar de se ter mantido em valores negativos (-0,3).
Em 2006, o PIB aumenta 0.9 pontos percentuais.
Em 2007, o contributo da procura interna foi o dobro do das exportações.
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