quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Desemprego

Desemprego cresce com mais gente disponível para trabalhar

A economia portuguesa continua a mostrar-se incapaz de dar resposta ao aumento da população activa, ou seja, o universo de pessoas que estão disponíveis para trabalhar.
No terceiro trimestre deste ano, o número de empregados cresceu 0,3% em termos homólogos, menos do que a população activa, que aumentou 0,7%. Resultado: o número de desempregados subiu 6,5% para 444,4 mil, próximo do máximo histórico de 460 mil, atingido no 1º trimestre deste ano. No total, são mais 27 mil desempregados do que em igual período do ano passado.

Mas quem são estes novos desempregados? Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), são mais mulheres do que homens e a maioria tem mais de 45 anos. Embora o número de licenciados não seja negligenciável, são sobretudo pessoas com um baixo nível de qualificação que perderam o emprego no último ano. E quase todos trabalham no sector dos serviços.



DN, 17 de Novembro de 2007



Qual a diferença entre activos/inactivos, empregados/desempregados?

População inactiva: conjunto de indivíduos que, no período de referência, não podem ser considerados economicamente activos, ou seja, não estão empregados nem desempregados.

População activa (Ns): conjunto de indivíduos que, num período de referência, constituem a mão-de-obra disponível para a produção de bens e serviços que entram no circuito económico, inclui aqueles indivíduos que se encontram a trabalhar (E) ou desempregados (U):
Fórmula: Ns = E+U

Empregado: indivíduo que possui contrato de emprego remunerado e que desconta para os impostos.

Desempregados: é um indivíduo que, ao longo de um período de referência, se encontra simultaneamente nas situações seguintes:

1 Não possui emprego;
2 Procura activamente emprego;
3 Está imediatamente apto/disponível a trabalhar


Tipos de Desemprego:

Desemprego natural:
nível de desemprego associado ao produto natural
• é o nível de desemprego de equilíbrio, quando há estabilidade da taxa de desemprego
• Desemprego natural = desemprego estrutural + desemprego friccional

Desemprego estrutural: desemprego involuntário que resulta da incapacidade do salário real se ajustar ao nível de equilíbrio de mercado
Desemprego friccional: resulta do normal funcionamento e do dinamismo inerente ao mercado de trabalho, ocorrendo porque demora tempo para que haja ajustamento entre um trabalhador que procura um emprego e a existência de um posto de trabalho que necessita ser preenchido

Qual a evolução da taxa de actividade e da taxa de desemprego nos últimos anos, em Portugal?

Evolução da taxa de actividade e da taxa de desemprego nos últimos anos em Portugal:



A Taxa de actividade é a percentagem da população que tem ou procura emprego. Corresponde ao rácio entre a população activa e a população total (Ns/Q).


A taxa de desemprego é a percentagem da população activa, que procura mas não consegue obter emprego. Corresponde ao rácio entre população desempregada e população activa. u=U/Ns


A evolução da taxa de actividade em Portugal tem vindo a aumentar desde 1994.
Entre 1994 e 1996 o seu crescimento foi pouco visível. A partir de 1997 o seu crescimento tem sido significativo, em 1997 rondava os 49,5% e em 2006 o valor era de 52,8%.

A evolução da taxa de desemprego em Portugal tem sofrido alterações ao longo dos anos.
Em 1994 a taxa de desemprego rondava os 6,8%, nos dois anos seguintes os valores sofreram um significativo aumento para 7,3%, mas em 1997 os valores caíram para 6,7% mais baixo do que em 1994, e nos anos seguintes até 2004 os valores não ultrapassaram os 6,5%.
Podemos constatar que no ano de 2000 tivemos o menor número de desemprego de até hoje, a taxa de desemprego não ultrapassou os 3,9%.

A partir do ano de 2003, a evolução da taxa de desemprego têm vindo a aumentar significativamente. Em 2003 a taxa rondava os 6,3%, em 2004 os 6,5%, e em 2005 até 2006 os valores os valores aumentaram muito em relação aos anos anteriores, nestes dois anos os valores da taxa de desemprego eram de 7,6%.





Que factores poderão explicar esse comportamento?

O desemprego é um problema económico porque representa o desperdício de recursos valiosos.
Quando a taxa de desemprego aumenta, a economia está de facto a desperdiçar os bens e os serviços que os desempregados podiam ter produzido.

O desemprego é um problema social importante, causa enorme sofrimento aos desempregados que se debatem com menores rendimentos, O custo económico do desemprego é elevado, mas não há valor monetário que possa traduzir adequadamente o custo humano e psicológico do desemprego involuntário persistente.

As pessoas empregadas também suportam os custos do desemprego, directa e indirectamente. Os sistemas de segurança social transferem recursos para as pessoas desempregadas (subsídio de desemprego). Além disso, uma maior taxa de desemprego implica uma maior taxa de criminalidade, uma maior taxa de subsídio, e um maior nível de tensão social.
A economia Portuguesa, como está patente no texto, continua a mostrar-se incapaz de dar resposta ao aumento da população activa ( número de pessoas que estão disponíveis para trabalhar).


Qual a evolução ocorrida em termos do perfil dos desempregados?

São vários os factores que interferem no Desemprego que se verifica actualmente.
Não faltam pessoas que queiram trabalhar, o que não há e local para trabalhar.
Segundo o INE ( Instituto Nacional de Estatística) os “novos” desempregados são na sua maioria pessoas do sexo feminino do que do sexo masculino e que em grande parte têm mais de 45 anos de idade.

Como podemos constatar no quadro seguinte, são as mulheres com idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos de idade que se destacam no grupo dos desempregados.
Enquanto o sexo masculino nas idades entre os 35 e os 54 anos de idade contam com 76 143 desempregados, o sexo feminino com as mesmas idades (35 a 54) rondam os 106 882 desempregados.

Entre os 25 e os 34 anos de idade, o número de desemprego masculino ronda os 45 098, também neste caso o sexo feminino conta com um maior número de desemprego 69 669.
Apenas no grupo etário de mais de 55 anos de idade, é que as mulheres são em menor número do que os homens.
Nos outros grupos etários as mulheres são em maior número.

O nível de escolaridade também tem um papel decisivo no acto da selecção dos trabalhadores.
Actualmente quem não tiver o 12ºano de escolaridade ou for licenciado em alguma área encontrará diversos entraves na procura de trabalho. Até, para quem é Licenciado, esta procura é muito difícil.

Como podemos ver no quadro seguinte, referente ao ano de 2004, as mulheres foram as que apresentaram um nível de escolaridade mais elevado, cerca de 22 629 completaram o ensino superior mas estão no desemprego. E 11 886 homens, com ensino superior estavam no desemprego.

16 007 mulheres não têm qualquer tipo de escolaridade e estão no desemprego, 9 645 homens estão na mesma situação profissional e escolar.
Ao nível do Ensino Básico 1º, 2º e 3º ciclos, ensino Secundário e pós secundário, existem mais mulheres a possuir este nível de escolaridade do que homens, mas, que no entanto apesar da escolaridade que possuem estão no desemprego.

Em 2004 o desemprego registado por Sexo e por nível de escolaridade em 2004 quanto a homens e mulheres no seu total foi de 457 864 mil pessoas.



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